O Carnaval é corpo em movimento, celebração, rua, sol e pertencimento. Para a população negra, é também território de expressão cultural, ancestralidade e potência. Mas, em meio à festa, existe um ponto que precisa ser cuidado com responsabilidade: a saúde da pele negra.

A melanina, pigmento responsável pela cor da pele, desempenha um papel fundamental na proteção contra a radiação ultravioleta. Em peles negras, ela oferece uma defesa natural maior contra queimaduras solares. Ainda assim, essa proteção não é total especialmente em períodos de exposição intensa, como acontece durante o Carnaval.
Horas seguidas ao sol, calor excessivo, suor, atrito com fantasias, maquiagem pesada e o uso de produtos inadequados criam um cenário propício para processos inflamatórios na pele. E é justamente nesses processos que a melanina, antes protetora, pode se tornar um fator de vulnerabilidade, favorecendo o surgimento de manchas, melasma e hiperpigmentação pós-inflamatória.
Existe ainda um mito persistente, o de que a pele negra não precisa de protetor solar. No Carnaval, esse equívoco se torna ainda mais perigoso. A exposição repetida e desprotegida intensifica estímulos inflamatórios silenciosos que, a médio e longo prazo, comprometem a uniformidade, a saúde e o conforto da pele.
Cuidar da pele negra durante o Carnaval não é sobre restringir a alegria, mas sobre garantir que o corpo possa celebrar sem adoecer. Protetor solar, hidratação adequada, atenção ao uso de ácidos antes da folia e escolha consciente de produtos são atitudes simples que fazem diferença real.
Falar de melanina no Carnaval é lembrar que o direito à festa também passa pelo direito ao cuidado. É reconhecer que a pele negra carrega proteção, sim, mas também sensibilidade. E que informação qualificada é parte fundamental de uma celebração verdadeiramente saudável e inclusiva.


