Em tempos de correria e cansaço coletivo, a gastronomia pode ser um refúgio. E no Dia
Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, vale lembrar que muitas das receitas
têm origem nas mãos de mulheres negras nordestinas. Elas não apenas cozinham — elas
acolhem, ensinam e transformam ingredientes em remédios para o corpo e para alma.
Essas mulheres são verdadeiras mestras da vida. Muitas aprenderam a cozinhar com mães e avós, e hoje ensinam com o mesmo brilho nos olhos. Elas mostram que a cozinha pode ser espaço de criatividade, de empreendedorismo e de autoestima, ao transformar ingredientes do dia a dia em pratos cheios de sabor, que confortam o coração e aquecem a alma, e assim elas também transformam a própria história.
Esse protagonismo tem cheiro de dendê, gosto de tapioca e memória de panela de barro. É a mulher negra nordestina quem, há séculos, sustenta tradições, reinventa receitas e transforma a cozinha em espaço de resistência cultural e afirmação identitária.
Para muitas mulheres nordestinas, cozinhar sempre foi mais que alimentar: foi garantir renda, autonomia e dignidade. Das feiras livres às cozinhas de restaurantes, elas transformam ingredientes simples em pratos que carregam histórias de luta e resistência. A venda de bolos, cocadas e tapiocas não apenas sustenta famílias, mas reafirma a força da mulher como empreendedora.
As marisqueiras e quilombolas preservam saberes ancestrais, sustentam comunidades com práticas de pesca e agricultura tradicionais, influenciando diretamente a culinária nacional ao manter vivas receitas, técnicas e ingredientes que formam a identidade alimentar do país. Essas mulheres são guardiãs de tecnologias que conectam o passado e o presente. Apesar de sua importância, muitas das vezes são inviabilizadas e pouco oportunizadas.
Por outro lado, chefs e cozinheiras negras nordestinas ao ocupar cozinhas profissionais e festivais gastronômicos, desafiam estereótipos e lutam por espaço na cena gastronômica nacional e internacional, inovando e mostrando que tradição e modernidade podem caminhar juntas.
Celebrar o Dia da Mulher é também honrar a mulher negra nordestina que com coragem e criatividade valorizam ingredientes, sabores e saberes ancestrais transformando a cozinha baiana em território de memória, resistência e futuro.
Fica aqui meu “salve” e gratidão a todas essas mulheres que mantêm viva a tradição da comida de terreiro, das festas de largo, dos quilombos, da comida de rua. AXÉ!