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Produzir é arte: Como o trabalho por trás do palco cria momentos inesquecíveis

O público chega, conversa, pede uma bebida, aplaude, sorri. No palco, o artista canta e encanta, iluminado por refletores que parecem moldar a cena perfeita. Mas, por trás dessa beleza, existe um mundo que quase ninguém vê, e que pulsa com tanta intensidade quanto a própria música.

Tudo começa muito antes do show. Semanas, às vezes meses, de preparação: reuniões para definir repertório, discutir a energia que se quer passar, escolher o local que vai abraçar o público. No papel, tudo parece simples; na prática, é um jogo de equilíbrio entre sonho e realidade.

No dia do evento, a cidade ainda desperta quando a equipe já está em ação. Estruturas são montadas com cuidado, cabos correm pelo chão como veias que levarão vida ao show, microfones sendo testados, luzes ajustadas milimetricamente para criar o clima perfeito. No som, cada detalhe importa: um instrumento afinado, uma voz no ponto, um grave que vibra no peito.

Enquanto isso, o camarim se torna um pequeno refúgio. Lá, o artista aquece a voz, respira fundo para alinhar corpo e mente. É um momento de silêncio, quase sagrado, antes do turbilhão de aplausos. A produção acompanha cada passo, com olhares atentos e mãos prontas para resolver qualquer problema antes mesmo que ele aconteça. 

A equipe de mídia corre de um lado para o outro, capturando sorrisos, ensaios, bastidores, conversas rápidas. Eles sabem que cada registro será a memória viva do que está por vir, e do que vai ficar para sempre. 

Mas nem tudo é previsível. Uma falha no som, um atraso de equipamento, uma chuva inesperada… os “perrengues” surgem como testes de resistência. É aí que a mágica invisível da produção acontece: um fio que arrebenta é substituído antes que alguém perceba, um atraso se transforma em oportunidade para o público se conectar mais, uma adversidade vira história para contar.

E então, as luzes se apagam. O silêncio é cortado pelo primeiro acorde. O público vibra. Lá atrás, nos bastidores, um olhar de alívio se encontra com outro de orgulho. Quem trabalha nos bastidores sabe: o que o público vê é apenas a superfície de um universo feito de esforço, noites em claro, nervos à flor da pele e, acima de tudo, paixão.

Produzir é transformar caos em harmonia, suor em aplauso, trabalho duro em emoção pura. Quando o último acorde ecoa e o público aplaude de pé, todos ali, atrás das “cortinas”, sentem a mesma certeza: valeu a pena. Sempre vale.  

Categories: Colunistas
Elaine Souza: Nutricionista, educadora física, produtora de banda de samba, storymaker de bloco afro, apaixonada pela música e pela energia dos bastidores. Coordena equipes, logística e produção, transformando planejamento e dedicação em apresentações cheias de emoção, ritmo e autenticidade.
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