Não se trata apenas de um cortejo pelas ruas do Pelourinho. O que se viu foi a reafirmação de uma memória que resiste há mais de dois séculos: o primeiro cortejo popular da Bahia, realizado em 1824, ganhou vida novamente, transformando música, dança e homenagens às mulheres ancestrais em um ato de resistência e celebração da identidade cultural baiana.
O evento ocorreu no último dia 22 de agosto, organizado pela Associação do Grupo da Terceira Idade Eterna Juventude, reunindo escolas, artistas e comunidades da capital e do interior de Salvador.
Uma jornada de 202 anos
Há 202 anos, em 1824, Salvador vivenciou o primeiro cortejo popular da Bahia, marcando um momento significativo na história da independência do Brasil. Este evento, realizou a união do povo em torno da liberdade e da identidade baiana. Hoje, a tradição se mantém viva, renovada a cada geração, como um testemunho da resistência e da luta contínua pela preservação da cultura e da memória coletiva.
Neste ano, o cortejo dedicou-se especialmente às mulheres ancestrais – aquelas que, com coragem e sabedoria, foram protagonistas na construção da liberdade e da resistência baiana. Mulheres que, ao longo dos séculos, desempenharam papéis fundamentais na preservação das tradições, na luta por direitos e na formação da identidade cultural do estado.
Um mosaico de cultura e resistência
A concentração teve início às 9h45, na Praça Quincas Berro d’água, no coração do Centro Histórico de Salvador. Às 10h, o cortejo seguiu pelas ruas do Pelourinho, conduzido por uma orquestra e acompanhado por alas representando diversas manifestações culturais. Participaram escolas públicas e privadas, artistas, grupos populares e comunidades da capital e do interior, todos unidos pela música, dança e pela preservação da memória histórica.
Durante o percurso, foram realizadas homenagens a pessoas e entidades que contribuíram significativamente para o desenvolvimento cultural da Bahia, reforçando o compromisso com a valorização do patrimônio imaterial do estado.
Mostra fotográfica “Matriarcas do Tempo”
Paralelamente ao cortejo, a Praça Quincas Berro d’água recebeu a Mostra Fotográfica “Matriarcas do Tempo” com painéis que retrataram a força e a sabedoria das mulheres que marcaram a história da Bahia. As imagens expostas convidaram o público a refletir sobre o papel essencial das mulheres na construção da sociedade baiana.
O evento foi encerrado com apresentações culturais dos grupos Orisun e Samba de Roda Filhos da Terra, que trouxeram para a praça ritmos e danças que são a alma da cultura popular baiana. O clima de festa e resistência marcou o encerramento de uma celebração que, mais do que recordar, reafirma o compromisso de manter viva a herança cultural para futuras gerações.
Compromisso com a memória e o futuro
A Associação Eterna Juventude, fundada há mais de 25 anos, tem se dedicado à promoção do bem-estar da terceira idade e ao resgate da autoestima por meio da reintegração social. Com eventos como o cortejo, a associação reafirma seu papel como guardiã da memória cultural da Bahia, garantindo que as tradições e histórias sejam preservadas e transmitidas às próximas gerações.