O Carnaval chegou. A cidade mudou, aguardando esse momento, já já ensaiaremos o retorno para a normalidade, camarotes serão desmontados, empreendedores contabilizando o retorno financeiro dos seus investimentos. Enfim, mesmo quando as luzes se apagam, os trios silenciam e os palcos desmontam —os números continuam falando. E falando alto.

Para milhares de empreendedores baianos — músicos, artistas, produtores, ambulantes, bares, blocos, fornecedores, costureiras, técnicos, influenciadores e prestadores de serviço — o Carnaval representa picos expressivos de faturamento em poucos dias.
No último ano, o carnaval atraiu 3,5 milhões de turistas para a Bahia, gerando R$ 7 bilhões para a economia do estado. Muito dinheiro chegando e os nossos empreendedores aproveitando o momento ideal para faturar mais, só que o problema começa quando esse dinheiro entra sem organização.
PIX, maquininhas, transferências, plataformas digitais, cachês, comissões, vendas informais… tudo isso deixa rastro. E o “Leão” não tira férias no Carnaval.
1. Carnaval gera caixa. Mas também gera dados.
Lamento informar, “Não existe dinheiro invisível”.
Os órgãos de fiscalização já cruzam informações de:
- PIX recebidos (PF e PJ);
- Maquininhas de cartão;
- Plataformas digitais de pagamento;
- Notas fiscais emitidas (ou não);
- Movimentação bancária incompatível com renda declarada;
O Fisco não fiscaliza manualmente, ele possui tecnologia para realizar cruzamento eletrônico e inteligência fiscal.
E para não deixa vocês desavisados já adiando: “O erro mais comum no Carnaval é Misturar o dinheiro da pessoa física com pessoa jurídica.”
2. TOP 5 erros mais comuns no Carnaval:
a. Receber tudo no PIX da pessoa física
PIX recorrente em CPF pode ser interpretado como atividade habitual e renda, sujeita a autuação, imposto retroativo e multa. O leão pode tributar cerca de 27,5% sobre os valores recebidos.
b. Não emitir nota fiscal “porque foi só Carnaval”
Apesar de ser um evento pontual, não isenta obrigação tributária.
Shows, serviços, fornecimentos e contratos temporários também geram obrigação fiscal.
c. MEI estourando o limite sem perceber
O faturamento concentrado em poucos dias pode levar o MEI para o desenquadramento, muitas vezes sem aviso imediato. E quando o aviso chega… vem com cobrança.
d. Plataformas e produtores pagando, mas você não registrando
Quem paga informa. Quem recebe e não registra… fica exposto e corre riscos!
e. Gastar tudo sem separar imposto e capital de giro
O Carnaval passa, mas:
- aluguel continua
- equipe continua
- impostos chegam
“Faturamento não é Lucro” e Lucro não é o que sobra no bolso no dia seguinte.
3. “Tá sol, mas o que o Fisco já sabe?”
Sem mistério, sem conspiração:
- A Receita Federal;
- O Estado da Bahia;
- E os Municípios.
Já cruzam:
- Volume financeiro x atividade declarada
- Frequência de recebimentos
- Incompatibilidade entre renda, notas e padrão de vida
- Dados enviados por bancos, plataformas e operadoras
Quem está organizado nem percebe. Quem não está… sentirá e esta data está mais próxima de acontecer com os avanços tecnológicos.
4. Organização não é medo. É estratégia.
O objetivo não é pagar mais ou menos imposto. É pagar o correto, proteger o negócio e garantir continuidade.
O mínimo que todo empreendedor do Carnaval precisa fazer para diminuir esses riscos:
- Separar conta PF e PJ;
- Registrar todas as entradas (mesmo que simples) e saída;
- Emitir notas quando exigido;
- Separar o dinheiro dos tributos no momento da venda;
- Revisar faturamento e enquadramento após a folia;
Isso não complica, isso liberta. E depois você vai me agradecer.
5. Checklist rápido do pós-Carnaval
( ) Some tudo o que entrou no período
( ) Verifique se ultrapassou limites (MEI/Simples)
( ) Separe imposto do caixa operacional
( ) Regularize o que ficou informal
( ) Procure sua contabilidade para revisar o cenário
( )Faça uma reserva para sua empresa.
O pior erro não é ganhar muito no Carnaval.
É não saber o que fazer com esse dinheiro depois.
6. Compromisso da coluna
Aqui, meu papel é traduzir o que acontece na prática, no chão da rua, no palco, no trio e no caixa do empreendedor baiano. É dar um norte para que vocês não caiam em ciladas.
Carnaval é festa. Mas a sua empresa assim como o “show”, tem que continuar.
E quem organiza hoje, continua faturando amanhã. E nós estaremos aqui para tirar as suas dúvidas.



1 Comentário
T Cris
Parabéns pela maneira direta e leve como abordou uma situação muito importante e recorrente para os empreendedores.
Os erros trazidos no texto é recorrente durante todo ano. E já vem o São João, e esse ano embalado pela Copa do Mundo… Vamos vigiar kkkkk