Coletivos de samba, associações culturais, afoxés, blocos afro e outras organizações de matriz afro-diaspórica
O Editorial Especial do Portal Pittaco nasce de uma compreensão latente: não estamos falando de Carnaval como evento, mas de entidades negras organizadas que produzem cultura, identidade, política e pertencimento ao longo de todo o ano — e que, em determinados momentos, ocupam o espaço público por meio de festas, cortejos, rituais e celebrações coletivas, entre elas o Carnaval.
Este editorial foi pensado desde o lançamento do Portal Pittaco. Inicialmente previsto para ser inaugurado durante o Novembro Negro, ele já carregava, desde a sua concepção, um objetivo maior: criar um espaço editorial permanente dedicado às entidades, associações, blocos, afoxés, coletivos de samba e demais movimentos culturais de matriz afro-diaspórica que estruturam a vida cultural, social e simbólica da Bahia e de outros territórios.
Não se trata, portanto, de uma coluna temática sobre o Carnaval.
Trata-se de um editorial contínuo sobre organizações negras de referência, que atuam como espaços de formação cultural, espiritual, política, educacional e comunitária — muitas delas com décadas de existência, história própria, fundamentos ancestrais e papel ativo na construção da identidade negra no Brasil.
O Carnaval aparece aqui como um dos territórios de expressão dessas entidades, não como seu limite. Aparece como rua, como avenida, como palco ampliado de algo que já acontece nos terreiros, nas sedes, nas associações, nos ensaios, nas oficinas, nos fóruns, nos rituais, nas ações sociais e educativas que atravessam os 365 dias do ano.
Este editorial começou a se materializar publicamente na segunda quinzena de janeiro, com a publicação de conteúdos que já apontavam esse caminho curatorial. No dia 28 de janeiro, por exemplo, a coluna trouxe à tona uma ação específica do Bloco Afro Muzenza, marcando simbolicamente o início dessa concentração editorial dedicada às entidades negras organizadas.
Ao nos despedirmos de janeiro, abrimos o abre-alas para o mês de fevereiro — não apenas como transição de calendário, mas como início de um novo ciclo dentro do Portal Pittaco. Um ciclo que se inaugura em meio a muitos projetos que estão por vir, todos atravessados pelo mesmo compromisso: tratar a cultura negra organizada com a seriedade, o respeito e a profundidade que ela exige.
Este editorial é também uma carta aberta.
Uma carta aberta às entidades negras que constroem cultura, identidade e resistência.
Uma carta aberta a blocos afro, afoxés, coletivos de samba, associações culturais, movimentos de matriz afro e afro-indígena.
Uma carta aberta que afirma: o Portal Pittaco se coloca como aliado.
Aquilo que estiver ao nosso alcance para registrar, valorizar, amplificar vozes, abrir espaço, fomentar circulação de informação e fortalecer essas organizações, nós faremos. Esse compromisso não nasce de uma demanda externa, mas de um princípio interno: faz parte da identidade do Portal Pittaco atuar como plataforma de reconhecimento, escuta e visibilidade das culturas negras organizadas.
Este Editorial Especial não tem prazo para acabar.
Ele existe enquanto essas entidades existirem — e enquanto houver necessidade de nomear, documentar e respeitar as formas negras de organização cultural que sustentam este país.
Vamos junt@s?
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