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Carnaval na Bahia: Os sabores que embalam a folia

Quem cuida de quem empreende?

Carnaval na Bahia também tem sabor, memória e identidade! A festa que nasceu da mistura de culturas também se reflete na mesa, em pratos que são pura celebração. O carnaval baiano não é só trio elétrico, axé e multidão. É também cheiro de dendê no ar, fumaça das churrasqueiras improvisadas e vendedores gritando: “Olha a gelada… 3 por 10”, que viraram tradição. Ali coladinhos na calçada, tem sempre o isopor pra o “pipoca” colar pra tomar uma gelada.

A gastronomia de rua se transforma em parte essencial da experiência e é totalmente democrática; ainda que o ideal recomendado pelos profissionais de saúde seja o consumo de saladas, frutas e comidas leves, muita água e a ingestão moderada do álcool, a galera pega pesado. Pode acreditar. Afinal, quem não gosta de um bom dendê, né?

No coração pulsante do folião baiano, comer com fartura, aquela comida pesada é também participar da festa. E a galera se joga logo de manhã naquela feijoada baiana completíssima, com mocotó, fato, e todos as carnes salgadas e defumadas, regada com farinha e pimenta. Isso é necessário para curtir o circuito e “comer água”; como também pra repor as energias perdidas no dia anterior. Eitaaaa! Feijoada é barril dobrado!

Em qualquer esquina do circuito do Campo Grande, Barra-Ondina ou no Pelourinho, e até mesmo nos suntuosos camarotes, tem uma feijoada naquela pegada. E de diferentes tipos: a feijoada baiana, com feijão mulatinho; a feijoada carioca ou feijoada raiz com feijão preto e a feijoada de frutos do mar com feijão branco, e essa é sem dendê, OK? Não é à toa que muitos foliões dizem que a energia para aguentar tantos dias de folia vem tanto da música quanto da comida.  O feijão segura a onda da farra!

Durante a festa, vamos beliscando: Acarajé e abará rainhas absolutas da comida de rua baiana, só encontradas em pontos muito específicos, por conta do risco de acidente com os tachos de azeite quente.  Dendê fritando e a multidão não dá reggae!

Espetinhos de carne, frango ou toscana, prático, barato e perfeito para comer andando. Muitas vezes acompanhado de farofa, salada de tomate e cebola, e aquele molho lambão delícia! Não sei qual a mágica, mas tem churrasco pra banguela no precinho. Arrebenta!

E aí vem os clássicos das madrugadas: Dogão, aquele cachorro quente com milho, ervilha, batata palha e aquele tempero de poeira e suor de quem tá lá desde cedo.  Oxi, quem liga? dogão é a salvação da madrugada! Depois vem o pastel, com milhares de opções de recheio, tanto doce quanto salgado, e os sanduíches, e esse tem diversos, desde o hamburguer tradicional e toda as derivações, ao churrasco grego no “pão de sal”.  É muita opção, viu?

E, pra finalizar; temos o já bem famoso nas ruas e camarotes, o gringo Yakisoba dando um toque oriental no nosso axé. E este concorre pau a pau com a italiana pizza, por aqui não tão italiana, mas regada com muito catchup.  Aí é que fica o bicho!

Depois de horas de folia, nada melhor que chegar em casa e ter um prato pronto para revigorar o corpo e rebater a ressaca. É aí que entra os caldos, mesmo com todo calor carnavalesco, é muito bem vindo as diversas opções; o caldinho de feijão e os caldos de sururu; mocotó; camarão; polvo; aipim; e na cozinha da Trivial tem o “Viagra Baiano”, um caldo de frutos do mar, engrossado com feijão branco e servido com ovos de codorna e amendoim torrado.

Mas, não vamos complicar, vamos fazer um caldo verde? um prato tipicamente baiano que pode ser feito antes da saída para o circuito e aquecido na volta — perfeito para repor as energias. Uma delícia, fácil e rápido de fazer, é sucesso a qualquer momento, seja aquela refeição no final do dia ou aquele esquente no estômago para tomar uma gelada.

É um caldo nutritivo, reconfortante e ótimo contra a ressaca, já que a mandioca fornece energia de fácil digestão e a couve ajuda a repor vitaminas.  É a cura baiana!

Caldo Verde com Aipim

 Ingredientes:

  • 1 kg de aipim descascado e cortado em pedaços
  • 1 litro de água
  • 200 g de linguiça calabresa cortada em cubos
  • 50 ml de azeite de oliva
  • 100 g de bacon
  • 100 g de cebola picada
  • 100g de tomate picado
  • 2 dentes de alho amassados
  • Temperos à gosto: Sal, pimenta do reino; páprica defumada e pimenta branca.
  • 1 maço (pequeno) de couve cortado em tiras fininhas
  • Cheiro-verde para finalizar (coentro, salsa, cebolinha, escolha à gosto)

 Modo de preparo:

1. Cozinhe o aipim na água até ficar bem macio.

2. Bata o aipim no liquidificador com a água de cozimento e reserve.

3. Em uma panela, refogue o bacon e a linguiça no azeite de oliva. Quando estiver bem refogado, acrescente a cebola e o alho mexendo sem parar.

4. Junte o tomate e a páprica ao refogado.

5. Acrescente o aipim batido, mexendo sem parar.

6. Tempere com sal e pimenta branca.

6. Adicione a couve fatiada e deixe cozinhar por 3 minutos, apenas para murchar.

7. Finalize com cheiro-verde e sirva bem quente.

Tá valendo, complementar com um molho de pimenta arretado e acompanhar uma torradinha. Para quem prefere opções sem carne, uma versão vegetariana, é só preparar do mesmo jeitinho sem a linguiça calabresa, ou substitui-la por tofu ou cogumelos, que fica igualmente saboroso e nutritivo.

Divirta-se muito!

Categories: Colunistas
Theresa Cristina: Criada em uma família festeira, T Cris, herdou da mãe, professora de artes culinárias, o gosto por fazer festas com muita comida. Cresceu em frente a uma feira livre, cercada por ingredientes regionais e pelos sabores diversos da culinária baiana, que marcam sua memória afetiva. Aos 50 anos, decidiu reinventar-se e mergulhou na gastronomia, unindo técnica e ancestralidade. Nos terreiros de candomblé, aprendeu que cozinhar é mais que alimentar—é preservar histórias e fortalecer identidades. Formada em Gastronomia e pós-graduada em Cozinha Brasileira, é mentora, instrutora e coautora do livro Sabores da Terra. Membro da Federação Italiana de Cozinheiros, recria os sabores das comidas dos terreiros e quilombos com inovação e respeito, celebrando a riqueza da comida afro-baiana.
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