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A moda de terreiro na contemporaneidade

A moda de terreiro sempre existiu. Antes de ser chamada de estética, já era fundamento que dá base para a moda atual. Antes de ocupar as vitrines, já ocupava corpos em ritual, em reza, em resistência. O que hoje chamamos de “contemporâneo” nada mais é do que o tempo reencontrando suas raízes.

Vestir-se no terreiro nunca foi apenas cobrir o corpo, é um ritual sagrado. É linguagem espiritual, é hierarquia, é pertencimento. Cada pano, cada bordado, cada cor carrega axé, história e propósito . São roupas/asós  que se comunicam com o sagrado, mas também com o coletivo — afirmando identidades que por muito tempo tentaram silenciar.

Na contemporaneidade, a moda de terreiro rompe os limites do espaço ritual sem perder o respeito ao fundamento, protegendo a nossa essência ancestral, ela atravessa ruas, eventos culturais, passarelas independentes e plataformas digitais, reafirmando que ancestralidade não é passado: é presença viva e pulsante. 

A Monalay nasce exatamente nesse ponto de encontro. Costurando o passado ao presente, a marca entende a moda como instrumento de continuidade cultural. Não se trata de apropriação estética, mas de responsabilidade ancestral. Cada criação parte do princípio de que vestir é também um ato político e espiritual.

Em um mundo que consome símbolos sem compreender seus significados, a moda de terreiro contemporâneo propõe outro caminho: o da consciência. Ela convida quem veste a saber de onde vem aquilo que toca sua pele. A respeitar os saberes tradicionais. A honrar as mãos que costuram, os terreiros que guardam e os ancestrais que sustentam.

A contemporaneidade não exige que a moda de terreiro se adapte — ela exige que seja ouvida, respeitada e honrada por ser base para tantas outras modas. Que ocupe espaços sem pedir permissão. Que exista com dignidade, beleza e verdade.

Quando a moda respeita o axé, ela deixa de ser tendência.

Ela se torna legado.

Monalay

Moda de terreiro. Ancestral. Viva

Lais Santos: Mulher negra, mãe, periferica, fundadora da Monalay Moda Étnica. Bacharel em Administração de empresas, facilitadora do saber fazer do Bordado Barafunda, Turbantes, Tecelagem de tradição, corte costura de axé, PSMN 2025.